Junho sempre foi dos meus meses favoritos. É o mês do meu aniversário, o que quer dizer festa, amigos reunidos e presentinhos ocasionais. Também é o início do inverno e do friozinho em Curitiba, o que se traduz em quentão da Osório e pinhão saindo direto da panela de pressão. Mas o que torna a atmosfera desse mês tão especial para mim é a festa junina. Adoro as bandeirinhas coloridas, as roupas caipiras em tecidos xadrez, a quadrilha. E as comidas juninas, que são as melhores do ano: pé-de-moleque, paçoca, canjica, e, bem, já falei do quentão, mas não custa repetir.
Neste ano, cá do outro lado do oceano, meu junho foi diferente, o mais diferente da minha vida. Não ansiei pela data em que ficaria mais velha, já que este seria o primeiro dia 5 de junho, desde 1992, longe da minha família. Para minha alegria, passei meu aniversário com pessoas muito queridas que conheci aqui, o que me fez esquecer um pouquinho das saudades de casa em um dia nostálgico. E do jeito tipicamente português, com muito vinho. Do barato, e o Pingo Doce manda lembranças.
O junho em Portugal, ao contrário de Curitiba, é a espera ansiosa pelo calor, depois de seis meses sem dias de sol. Era o início do verão e junho parecia mais um outubro na minha vida. Mas aí ele chegou, e eu nem lembrava mais da data: era dia e São João. Não sabia se eles comemoravam ou não festas juninas em Portugal, mas eles sabem bem aproveitar a época. E muito. As bandeirinhas e balões coloridos não enfeitavam apenas escolas para crianças ou pátios de igreja, mas toda a Baixa de Coimbra. A festa era a própria cidade.

Ao invés de paçoca e canjica, várias tascas (uma mistura entre restaurante e bar pequeno que fica escondido nas menores ruelas que você encontra por aqui) serviam sardinha assada e vinho, a comida tradicional dos festejos. Sentei com meus amigos numa imensa mesa ao ar livre num largo da Baixa, o luar iluminando nossos pratos com sardinhas e espinhos. Ao meu lado, um velhinho português quase teve um ataque ao me ver comendo o peixe com garfo e faca e ensinou que em Portugal se deve comer sardinha com a mão. Depois que eu disse que era brasileira ele se acalmou (pensava que eu era da terrinha lusitana), mas ainda sim percebia seus olhos me julgando por não cumprir uma tradição portuguesa.

A noite ia passando, íamos bebendo mais vinho de procedência duvidosa – daqueles que certamente vão tingir sua boca e dentes e vai ser difícil de tirar – e, como um presente da cidade, a cada meia hora, mais ou menos, grupos de crianças, adultos e velhos apareciam por nós desfilando com suas esplendorosas fantasias que homenageavam o santo do dia. Mas só até as onze horas, que Portugal dorme cedo. A não ser os universitários, sempre virando copos nos bares até as seis. Voltamos para casa, acima das nossas cabeças as bandeirinhas. Ao longe, ecoavam as músicas das últimas apresentações da noite. Era junho novamente.




